No último dia 10 de dezembro, ela completaria 91 anos; no dia 9 de dezembro, completaram-se 34 anos da morte de Clarice Lispector, a escritora que tentou chegar ao âmago da alma humana. A leitura de Clarice merece uma atenção especial para não perder-se no caminho da incompreensão, pois para se entender a obra desta escritora, segundo ela mesma, é necessário sentir.
Clarice afirmou certa vez que “escrevia para livrar-se de si mesma”. Foi nessa sua intrigante personalidade que se construiu uma obra reflexiva a respeito de nossas sensações interiores e as de nosso semelhante. É essa busca do “descobrir-se” e consequentemente, descobrir o outro, que seus livros estendem uma colcha de retalhos de sentimentos, aflições, acertos e desenganos que, até antes da leitura, não percebíamos em nós mesmos.
William Shakespeare já se preocupava com a esta eterna busca do ser humano em descobrir-se, e concluiu que na realidade, jamais nos conheceremos completamente quando afirmou que “Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser”. Em Clarice, talvez a persistência seja a sua maior marca. No livro A Hora da Estrela, ela, através do narrador Rodrigo S. M. escreveu que “Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”. É a forma que ela tinha de livrar-se dela mesma, isto é, livrar-se das eternas indagações - talvez até metafísicas - que vêm afligindo o homem nesta sua longa existência.
Ler Clarice é enriquecer-se, é tentar montar na mente um quebra-cabeça de sentimentos que encontra-se disponível em seus livros; é admirar um mulher de personalidade forte, mas, ao mesmo tempo, tão frágil. O que mais impressiona na obra de Clarice é o surgimento da autora em sua própria obra. É o que ela indaga, afirma e nos enriquece.
Prof. George Lucena

Nenhum comentário:
Postar um comentário